Capa / INÍCIO / DESTAQUE / 60,1% do PIB do Noroeste Fluminense está concentrado em apenas três municípios
60,1% do PIB do Noroeste Fluminense está concentrado em apenas três municípios

60,1% do PIB do Noroeste Fluminense está concentrado em apenas três municípios

Os municípios de Itaperuna, Santo Antônio de Pádua e Bom Jesus do Itabapoana respondem por 60,1% do Produto Interno Bruto (PIB) da região Noroeste Fluminense. A informação é do estudo “Retratos Regionais”, desenvolvido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) com o objetivo de apresentar um panorama socioeconômico dos municípios da região. O conteúdo foi apresentado aos empresários que compõem a Comissão Intermunicipal FIRJAN/CIRJ de Santo Antônio de Pádua, esta semana, e aos membros do Conselho da Representação Regional FIRJAN/CIRJ Noroeste Fluminense, pelo especialista em Desenvolvimento Econômico da Federação, Marcelo Nicoll.

Com dados de 2012, os últimos disponíveis, o estudo “Retratos Regionais” revela que o PIB da região Noroeste Fluminense era de R$ 4,7 bilhões naquele ano, o que representa 0,9% do total produzido no estado. De acordo com o estudo, Itaperuna garantiu a maior parcela do PIB da região: um total de R$ 1,7 bilhão. Já Santo Antônio de Pádua e Bom Jesus do Itabapoana contribuíram com R$ 655 milhões e R$ 472 milhões, respectivamente. Entre 2007 e 2012, a taxa de crescimento da produção regional foi de 20%, enquanto no estado do Rio de Janeiro foi de 22%.

Juntas, as três cidades concentram mais de 50% da população regional, que era de 323 mil em 2014, segundo estimativa do IBGE. Esse total representa 2% da população do estado. Nos últimos quatro anos, o número de habitantes no Noroeste Fluminense cresceu 1,8%, ficando abaixo da média estadual, cujo aumento foi de 2,9%. Dos 13 municípios da região, nove tiveram crescimento, com destaque para Aperibé (+6,6%) e Varre-Sai (+5,2%). Por outro lado, quatro cidades apresentaram redução da população no período, sendo em Laje do Muriaé (-2%) a queda mais significativa.

O setor que teve maior participação na economia do Noroeste Fluminense foi o de Serviços e Comércio, respondendo por 43,5% do PIB regional. Já a produção da Indústria contribuiu em 12,3% no PIB da região e em 0,4% no PIB industrial do estado. Porém, entre 2007 e 2012, foi o setor que apresentou a maior taxa de crescimento (+26,8%). A Agropecuária da região, embora ocupe apenas 4,8% do PIB do Noroeste Fluminense, representa 12% do valor produzido pelo segmento no estado.

Para o presidente da Representação Regional FIRJAN/CIRJ Noroeste Fluminense, Antônio Carlos Boechat, as informações estratégicas contidas no estudo poderão ter impacto significativo na tomada de decisões em prol do desenvolvimento do estado do Rio. “O estudo apresenta, com detalhes, dados relacionados ao perfil econômico de cada região. Mais uma importante contribuição do Sistema FIRJAN para impulsionar a expansão da economia estadual”, destacou o presidente.

Número de empregos na região teve crescimento superior ao do estado entre 2008 e 2013

As cerca de 7,4 mil empresas da região Noroeste Fluminense empregam 58 mil trabalhadores com carteira assinada, o que corresponde a 1,3% dos empregos formais no estado, segundo dados mais recentes do Ministério do Trabalho e Emprego. Os setores de Serviços, Comércio e Administração Pública respondem, cada um, por um quarto dos empregados na região, enquanto a indústria ocupa um quinto das vagas. Já a Agropecuária utiliza menos de 5% da mão de obra formal do Noroeste Fluminense.

Na Indústria, o subsetor que garante o maior número de trabalhadores é a Indústria de Transformação (16,9% do total de empregos formais na região), à frente da Construção (2,5%) e dos Serviços industriais de utilidade pública e da Extração mineral, que, juntos, ocupam menos de 1% dos postos de trabalho. Os segmentos da Indústria de Transformação com mais empregados são os de Produtos alimentícios (4,9%), Vestuário e acessórios (2,6%) e Produtos de minerais não metálicos (2,6%).

Entre 2008 e 2013, o número de empregos na região Noroeste Fluminense teve aumento de 33,4%, enquanto no estado o crescimento foi de 23,6%. A Indústria foi o setor que mais evoluiu regionalmente, alavancando em 48,4% o número de postos de trabalho. Em seguida, aparecem os setores de Serviços (+38,3%), Administração Pública (+29,4%) e Comércio (+30,9%), que também tiveram aumento acima do estado. A Agropecuária foi o único setor que reduziu o total de empregados no período (-6,8%).

O subsetor que ofertou mais postos de trabalho entre 2008 e 2013 foi o de Serviços industriais de utilidade pública (+147,8%). No mesmo período, a Indústria de Transformação também apresentou crescimento expressivo na geração de novos empregos (+50,7%). O número de empregos na Construção cresceu 36,9%, enquanto a Extração mineral (-2,6%) foi o único subsetor que mostrou redução de postos durante o período.

Contudo, a qualificação dos trabalhadores industriais no Noroeste Fluminense é mais baixa que a média do estado, sobretudo pela menor proporção de empregados com ensino médio e superior: 46,6% na região contra 60,6% no estado. Nos graus de instrução mais baixos, a situação regional também é pior que a do estado, pois apresenta maiores percentuais de trabalhadores em todas as faixas de menor escolaridade.

Municípios se destacam em Educação, mas gestão fiscal ainda é difícil no Noroeste

 Oito dos dez municípios que mais evoluíram em Educação no estado do Rio de Janeiro estão no Noroeste Fluminense, conforme apontou a última edição do Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (IFDM), com dados de 2011. Entre os critérios utilizados para avaliação da vertente estão os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), formação de professores, evasão escolar e atendimentos em creches e pré-escolas.

 Apesar dos bons resultados neste quesito, nenhum município da região foi classificado como de alto desenvolvimento no resultado geral do estudo, que também avalia Saúde e Emprego e Renda. Considerando as três vertentes analisadas, Santo Antônio de Pádua obteve o melhor desempenho na região e foi a 12ª colocada no ranking das cidades fluminenses.

Já o Índice FIRJAN de Gestão Fiscal (IFGF), lançado recentemente com dados oficiais de 2013, revelou que São José de Ubá foi a única cidade da região classificada com boa gestão fiscal, sobretudo pelos resultados apresentados nos indicadores Liquidez e Custo da Dívida. O índice, composto também pelos indicadores Receita Própria, Gastos com Pessoal e Investimentos, revela que a maior parte dos municípios da região possuem gestão em dificuldade.